Exortação:

Ilustres Colegas Advogados e Advogados Estagiários

A Ordem dos Advogados de Moçambique – OAM celebra, sob o lema “Pela Defesa das Prerrogativas dos Advogados e Valorização da Profissão”, no dia 14 de Setembro de 2025, 31 (trinta e um) anos da sua criação como associação pública profissional, representativa dos licenciados em Direito que, em conformidade com o Estatuto e demais disposições legais aplicáveis, exercem a advocacia.

Nestes seus trinta e um (31) anos de existência, a OAM, mais do que uma instituição que defende os interesses da sua classe profissional, tem se posicionado com notável independência como a guardiã da legalidade, defensora dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos e contribuído significativamente para o aperfeiçoamento do sistema jurídico e judicial. Com coragem, tem lutado contra as injustiças, não condescendendo perante qualquer poder, pois a Constituição é o caminho da OAM.

Como classe profissional de relevante interesse público, conhecemos os desafios inerentes às nossas imunidades e prerrogativas funcionais, com tentativas, muitas vezes veladas, da sua fragilização. Coragem é preciso. O advogado deve ter força suficiente para defender as suas imunidades e prerrogativas funcionais, assim como para defender direitos de terceiros. A nossa profissão não é para covardes, pois só os advogados vivem, compreendem e dão corpo à dor das injustiças que a sociedade enfrenta cotidianamente. Devemos ser a voz do nosso tempo, em que a injustiça está demasiada no corpo, na boca e nos pés. A crueldade dos números não engana.

Por isso, também devemos, neste desiderato imediato, uma merecida homenagem a todos os advogados e advogados estagiários pelo seu mês, semana e dia. Entretanto, não podemos perder de vista que, a par das imunidades e prerrogativas funcionais, os advogados estão adstritos às regras éticas e deontológicas inerentes à profissão, destacando-se, entre outros, “aceitar nomeações oficiosas…”; “não advogar contra a lei…”; “pugnar pela boa aplicação das leis…” e “colaborar no acesso ao direito”, sem perder de vista que existem critérios deontológicos definidos estatutariamente para a cobrança de honorários, não se podendo transformar a profissão num mercantilismo selvagem. Por isso, temos asseverado que “Não é possível almejar prestígio e reputação sem o cumprimento das regras deontológicas inerentes à esta nobre profissão” e que o “Conselho Jurisdicional deve manter-se actuante, nivelando a profissão por cima e garantindo a lisura da profissão”. Devemos defender, enquanto Classe profissional, o bom corporativismo e não o mau, sendo o bom aquele que defende a valorização e as imunidades e prerrogativas funcionais dos advogados, e o mau o que defende interesses particulares alheios à profissão, relacionados à violação da deontologia profissional.

Como no passado, agora também somos chamados a contribuir em dois importantes processos em curso, com impacto na democracia e seus valores. Estamos a falar da Lei do Compromisso Político e das propostas de Leis da Comunicação Social e Radiodifusão. Se na Lei do Compromisso Político ainda não estão claros os caminhos que se pretendem percorrer, pois não estão delineados que interesses políticos, económicos, sociais e culturais, que sejam diferentes dos até aqui trilhados, no que se refere às propostas de Leis da Comunicação Social e Radiodifusão as mesmas já estão disponíveis, tendo a OAM, na sua apreciação na generalidade, entendido que:

O comprometimento da OAM com a liberdade é imprescindível neste momento, quanto mais não seja pelo facto da liberdade ser a nossa maior ideologia. A nossa Classe deve estar na vanguarda dos valores e virtudes da cidadania, incentivando a liberdade mental, crítica e a educação cívica, promovendo, neste caso, um debate mais alargado sobre as propostas de Leis da Comunicação Social e de Radiodifusão, garantindo leis que respondam aos desideratos constitucionais. A vigilância é o caminho.

No contexto da celebração dos trinta e um (31) anos da OAM, estão programados múltiplos eventos aos nível dos Conselhos Provinciais, com destaque para: palestras; debates; caravanas da justiça para a promoção da assistência jurídica gratuita aos economicamente desfavorecidos; o lançamento da segunda edição da Revista “O Pulsar Jurídico” com uma vertente científica; culminando, com o ponto mais alto das celebrações, com a realização da 1ª Conferência Nacional da Jovem Advocacia e Género, na Cidade de Tete, entre os dias 17 à 19 de Setembro de 2025. Pretende-se que esta Conferência Nacional da Jovem Advocacia e Género seja um espaço de partilha, reflexão e debate, com disponibilização de ferramentas de engajamento e empoderamento dos jovens e mulheres advogadas, de formação e, acima de tudo, de colheita de propostas que contribuam para a difusão da cultura jurídica e uma advocacia inclusiva, ética e acessível, mas sem perder de vista as responsabilidades sociais e cívicas que o nosso tempo exige e cobra da profissão.

As cerimónias programadas para a celebração dos trinta e um (31) anos da OAM contarão com a participação de advogado e advogados estagiários, de representantes do Governo, juízes, procuradores, polícia, deputados da Assembleia da República, organizações da sociedade civil, académicos, entre outros convidados nacionais e estrangeiros. Exortamos a participação de todos os advogados e advogados estagiários nas actividades programadas e acima mencionadas, pois ajudam a fortalecer a Classe e a própria Organização. Não escondemos, tem sido uma enorme honra e responsabilidade liderarmos a OAM, uma Organização exigente e que conta com perto de quatro mil (4.000) advogados, sendo que pela primeira vez, realizou exame (com condições instaladas para o efeito) um portador de deficiência visual e com resultado satisfactório, demonstrando, uma vez mais, a OAM ser uma entidade que cumpre o seu papel legal.

Terminamos com uma passagem do Professor Jorge Ferrão, Reitor da Universidade Pedagógica, quando escreveu sobre “Ordem dos Advogados de Moçambique aos 30 anos – Entre Conquistas e Desafios, “Roubo do amigo Mia Couto uma imagem que me parece feita à medida da ocasião da celebração dos 30 anos da OAM: os pássaros, todos os que no chão desconhecem a sua morada, voam sem asas e fazem morada no infinito. Assim tem sido a nossa OAM, uma instituição que, apesar das adversidades, insiste em voar alto, sem perder o chão, lutando por uma justiça mais célere, mais justa e mais humana. Fá-lo em múltiplas frentes e com muitas vozes”. É verdade, temos tido muita divergência dentro da classe, mas temos sabido cumprir o nosso papel com consciência das nossas debilidades e sem veleidades de sermos o vértice do mundo.

Parabéns Ilustres Colegas. O caminho faz-se caminhando.

Por uma Advocacia Ética, de Qualidade e Moderna, ao Serviço da Sociedade

Maputo, 1 de Setembro de 2024

O Bastonário da OAM

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Carlos Martins

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